Conheça um pouco da história do Carnaval de Torres Vedras

“(…A vida são dois dias e o Carnaval são três. O de Torres Vedras são seis.)”

Anualmente repete-se a história do Carnaval de Torres Vedras, conhecido por muitos por ser o “Carnaval mais português de Portugal”. Este ano, não será diferente. De 21 a 26 de fevereiro, realizar-se-á, e com muita magia e fantasia.

Voltando atrás no tempo, a primeira comemoração desta festa de entrudo, remonta aos finais dos anos 20. Segundo a obra “Carnaval de Torres Vedras – Uma História com Tradição (1923-1998), a primeira referência conhecida é do ano de 1574. É neste ano que, a partir de um relato de um morador da vila, um tal Jerónimo de Miranda, que faz queixa revoltado por uns moços da vila estarem a provocar uma briga com “rodelas, paus, espadas, como costumam o tal dia”. Isto viria a ser a primeira referência conhecida ao dia do Entrudo.

Bailes e récitas em casas de particulares, formavam um Carnaval de Torres Vedras à época, bastante desorganizado, até aos finais do século XIX. A isto somavam-se mais um número bastante reduzido de desfilantes, que percorriam as ruas da vila na altura, mascarados. O Jornal da época “A Voz de Torres Vedras” publicava um comentário, “Como nos anos anteriores, o Carnaval passou-se em completa desanimação, o que não é para admirar. Velho caduco, já não está para grandes coisas.”

No entanto, a sua presença da sátira política, ia marcando os festejos ao longo de toda a sua história. 1908, ano de morte do Rei D. Carlos I, seria, segundo registos, o mais animado de todos.

Rei do Carnaval surge em 1923 e primeiras Matrafonas em 1926

Em 1923, decorreria então o primeiro Carnaval dito “organizado”. Os festejos incluíam a receção ao Rei do Carnaval, que chegava de comboio. No ano seguinte surgiria a figura da Rainha do Carnaval. Em 1926, apareceriam também as primeiras matrafonas – homens que se vestiam de mulheres, mas de uma maneira desarranjada. A sua origem acredita-se que tenha vindo das dificuldades económicas que muitos agricultores passavam à época e que não tinham dinheiro para comprarem as suas máscaras com que se disfarçarem.

Ditadura interrompe Carnaval de 1927 a 1929 e II Guerra Mundial trava festa entre 1941 e 1945

As festividades foram canceladas durante os anos de 1927, 1928 e 1929, com a Implementação da Ditadura e a sua Censura. “O Carnaval de Torres não pode morrer” era o título que saía à época como manchete. Após esta opressão dos finais dos anos 20, este chegaria em força nos anos 30, com a implementação dos carros alegóricos no cortejo. Conhecidos eram os carros do “Ovo”, o “Penedo do Guincho”, o “Couraçado”, o “Moinho Holandês” e o “Elefante”. No ano seguinte, este último saíra para percorrer a cidade de Lisboa, entregando folhetos, divulgando assim o Carnaval de Torres Vedras.

Entre 1941 a 1945, novamente o Carnaval de Torres Vedras seria interrompido, devido à II Guerra Mundial. Este seria mais uma vez interrompido durante os anos de 1953 e 1954 e 1956 a 1960. Só a partir daí surgiria o Grande Renascimento do Carnaval de Torres Vedras, cada vez mais realçando a sua importância e aumentando a economia local.

Em 1965, dá-se o grande arranque do Carnaval de Torres Vedras, agora modernizado, mas cada vez mais ganhando o interesse pelo popularismo. Tinha a duração de três dias.

Em 1972 dá-se o primeiro passeio Auto trapalhão.

O Carnaval de Torres Vedras apresenta também uma marca diferenciadora de todos os outros e que fez a diferença. Indivíduos não somente assistem ao desfile, mas como qualquer um pode integrar-se junto com os outros participantes, mesmo não estando sequer mascarados.

No ano de 1985, a Câmara assume a total responsabilidade do evento, passando a ser uma organização continuada.

Carnaval de Torres Vedras com tema diferente a cada ano desde 1988

Nos dias de hoje, o Carnaval de Torres Vedras já não dura só três dias, mas sim seis dias e tem um tema a cada ano desde 1988.

Em 2020, “Magia & Fantasia” é o tema desta edição, que decorre entre 21 e 26 de fevereiro. Durante seis dias de folia, as ruas da cidade serão invadidas pelas figuras que caracterizam aquele que é o “Carnaval mais português de Portugal”: cabeçudos dançam ao som dos Zés Pereiras, carros alegóricos satirizam figuras conhecidas, enquanto os foliões se divertem, num Carnaval em que os visitantes também são participantes.