Utente que chegou ao Hospital de Torres Vedras com febre queixa-se das condições em que foi atendido

Um jovem de 28 anos foi transportado pelo INEM para o Hospital de Torres Vedras com febres altas, depois de ter tentado contactar o SNS 24 durante quase dois dias. O utente queixa-se das condições em que foi atendido, nomeadamente do facto de lhe terem dado um comprimido para baixar a febre cerca de 6 horas depois de estar isolado num guiché, com apenas duas fatias de pão, três peças de fruta e uma marmelada.

À RTVON, Vítor Miguel, que mora em Santa Cruz e trabalha na área da restauração, explica que começou a ter febre no passado sábado, 14 de março, altura em que começou a contactar o SNS 24. Quando percebeu que não atendiam, a mulher sugeriu que ele chamasse o 112, que lhe pediu que colocasse uma máscara.

“Quando cheguei ao Hospital de Torres Vedras, tive de ficar na rua ao frio, à espera que me chamassem para a triagem e ainda tive de dar a volta a pé pelo exterior do hospital para ir à triagem onde ainda me atenderam na rua. Depois, durante 7 horas, com apenas duas fatias de pão, três peças de fruta e uma marmelada, fiquei num guiché onde não nos sabem dar respostas”, explicou o jovem à RTVON, lamentando o facto de não lhe terem feito “nenhuma análise” e de só passadas 6 horas lhe terem trazido um comprimido para baixar a febre.

Vítor acrescentou que, pelo meio, e por ter fome, ainda tentou aproximar-se da médica que estava num gabinete próximo dele, “com a devida distância”, mas que esta foi “extremamente rude”. No final, “quando perguntei por eventuais análises, explicaram que não o iriam fazer porque não tinha infeção respiratória e nem sequer tinham autorização, nem testes para todos”.

O jovem questiona se “acham que é assim que estamos preparados para alguma coisa”, colocando em causa o facto de os hospitais em Portugal estarem preparados para esta pandemia. “Se a pessoa não morrer da doença, vai morrer da cura, de certeza, porque os sistemas imunitários das pessoas vão ficar em baixo, podem até não ter essa doença, podem ter algo simples e pode complicar devido à fraqueza”.

Vítor acabou por ter autorização para ir embora apenas com um folheto de medidas preventivas.

CHO diz está empenhado na adoção de medidas extraordinárias para que esta pandemia tenha fim no mais curto período de tempo

Confrontado pela RTVON sobre estas acusações, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste “esclarece que no âmbito do plano de contingência para o COVID-19, foram criadas zonas de isolamento de doentes suspeitos e circuitos dedicados, com as condições possíveis, visando evitar ao máximo a propagação da doença”.

“O Centro Hospitalar do Oeste está empenhado na adoção de medidas extraordinárias para que esta pandemia tenha fim no mais curto período de tempo, contando com a articulação dos vários parceiros da área da saúde e da comunidade”.

A RTVON tentou também contactar o Delegado de Saúde durante toda a manhã, mas até ao momento ainda não conseguiu obter qualquer justificação.